quarta-feira, 5 de julho de 2017

Conheci tudo


Sim, conheci tudo ou quase tudo na PMERJ, conheci um governo que abriu as portas para que traficantes agissem com mais tranquilidade e conheci comandantes que não permitiam divulgação de material apreendido que comprometesse políticos.

Conheci investigações de crimes que, na ânsia de apresentar resultados que promovessem o “investigador”, prejudicaram seriamente inocentes que tiveram sua vida maculada pela sua exposição negativa.

Claro, conheci policiais bandidos, mas uma minoria se comparado com o que estou vendo acontecer hoje dentro da política. Com a diferença que na suspeita de um policial bandido dentro de uma unidade policial militar, dezenas podem ser presos, até sem comprovação de sua culpabilidade; mas os políticos ainda estão soltos, delinquindo e pelo que se vê a Justiça demora alcança-los.


Lembram da “Chacina da Candelária”? O fato ocorreu em 1.993 e um dos sobreviventes declarou que um policial do 5º BPM, de vulgo Pelé, tinha participado do crime. Pronto! O destino de Luiz Claudio Andrade dos Santos foi traçado, foi preso pelo fato de colegas o chamarem pelo apelido “Pelé”.

PM preso injustamente por chacina é indenizado

Preso injustamente por participação na chacina da Candelária, que vitimou oito menores de rua, em julho de 1993, o policial militar Luiz Cláudio Andrade dos Santos ganhou na Justiça indenização de R$ 180 mil, por danos morais. Ele foi equivocadamente reconhecido por um sobrevivente da chacina e ficou preso por quase três anos. 

Santos foi julgado inocente em maio de 1996. Durante todo o tempo, ele ficou preso no batalhão onde trabalha - hoje, ele só faz serviços internos, com medo de ser reconhecido pela população como um dos assassinos da Candelária e ser hostilizado. "Ainda o apontam na rua. Na época da chacina os filhos dele tiveram de deixar a escola, porque o pai era visto como um matador de crianças"

Depois de inocentado, Santos foi reintegrado à PM (ele fora expulso da corporação quando indiciado) e recebeu todos os salários atrasados. 

"Nenhum dinheiro paga a humilhação que ele sofreu". Além de Santos, outros dois dos quatro policiais acusados inicialmente não haviam participado da chacina.

Hoje, temos um ex governador preso acusado de dezenas de crimes que estavam visíveis desde seu primeiro mandato, mas que só foi preso há alguns meses. Temos também 96 mandados de prisão contra PMs de uma mesma Unidade da PMERJ, onde, como no caso citado acima, a maioria será inocentada por falta de provas e/ou por provarem sua inocência. Mais um caso midiático onde muitos procuram se promover com a desgraça de inocentes que certamente entrarão na Justiça buscando a reparação dos danos causados, o que não será barato para os cofres públicos. Ou seja, não sairá barato para os bolsos dos contribuintes.

Tá na hora de o causador do dano moral, se funcionário público, arcar com os custos de sua irresponsabilidade. Candelária e Vigário Geral deixaram sequelas irreparáveis a inocentes.

 

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